Pós-punk: rebeldia e existencialismo


Por Iohana Escobar –


Após a rebeldia, o anarquismo e o “faça você mesmo”, o movimento punk começa a perder força. Os frequentadores do CBGB (clube de música em Nova York famoso por ter sido o berço do punk) começam a ter outros interesses e, aos poucos, o individualismo, a irreverência e o desprezo pelas condutas e leis da sociedade em geral, se reinventam.

O CBGB (sigla de Country, Bluegrass and Blues and Other Music For Uplifting Gormandizers), antigo clube localizado em Nova York e famoso por ter sido o berço do movimento punk (Foto: Reprodução/Billboard)

O som mal feito e as letras politizadas são deixados de lado e substituídas por acordes mais lentos, introspecção, letras artísticas e abstratas.
É nesse cenário que o punk se reinventa e surge na Inglaterra, no final da década de 1970, o pós-punk, movimento que teria força até o final dos anos 80.
O pós-punk tem grandes afiliações com o movimento gótico, o parnasianismo, o teatro e a filosofia niilista (filosofia que o Punk já incorporava mais implicitamente em suas letras).

Bauhaus (Foto: Reprodução)

O estilo de vestir se assemelhava ao gótico. O “faça você mesmo” é substituído pelo “faço eu mesmo”. De maneira melancólica, o pós-punk contestava muito mais que a sociedade: contestava a vida e a existência.

Killing Joke (Foto: Reprodução)

PRIMEIRA GERAÇÃO

Na primeira geração inglesa, o pós-punk ainda não tinha tantas raízes artísticas e culturais. Sua contestação era ao próprio movimento punk, que, segundo eles, havia se vendido às grandes gravadoras e adotado regras de conduta, sepultando o lema da anarquia e do anti-capitalismo.
Dessa primeira geração nascem bandas como The Fall e The Damned.

SEGUNDA GERAÇÃO

A segunda geração nasce no início dos anos 80 e é tida por muitas como o auge do movimento. É nessa segunda fase que o movimento se filia à arte, à literatura e à filosofia. A introspecção, a melancolia e o existencialismo ficam aparentes nas letras das músicas.
A melodia também acompanha essa transição, e se na primeira geração o som das músicas ainda carregava batidas mais rápidas e alegres, nessa segunda fase elas são substituídas por melodias mais lentas e angustiantes.


As influências do pós-punk são inúmeras. O movimento foi além da música e sua estética foi incorporada ao cinema em filmes como Cidade Oculta, do brasileiro Chico Botelho, e Asas do Desejo, do alemão Wim Wenders.
Nos quadrinhos, Alan More e Neil Gaiman também alinharam a estética pós-punk às suas artes.


The Cure (Foto: Reprodução)

Nick Cave & The Bad Seeds (Foto: Reprodução)

Echo & The Bunnymen (Foto: Reprodução)

Jesus & Mary Chain (Foto: Reprodução)

The Cult (Foto: Reprodução)

Em 2000, o revival do pós-punk que revelou bandas como Interpol e Arctic Monkeys.
O pós-punk é pai do rock alternativo, da dance music e do movimento Shoegaze. A beleza de suas músicas, contrastada ao choque de sua estética, nos faz pensar quando revoluções artísticas dentro da própria revolução são necessárias.



Sobre a autora:

Iohana Escobar tem 21 anos e é estudante de Comunicação Social - Jornalismo. Apaixonada pelos anos 70 e 90 e também fã de cinema, literatura e contracultura. Além de colaborar com o Império Retrô, escreve sobre música em seu blog pessoal, O Estranho Mundo de Ioio

Império Retrô

Criado em 2010 por Rafaella Britto, o blog Império Retrô aborda a influência do passado sobre o presente, explorando os diálogos entre moda, arte e comportamento.

2 comentários:

  1. Nossa... realmente fantástico o texto! E muito esclarecedor! Adorei!

    ResponderExcluir