Amor, estilo e rock 'n' roll: a moda no mangá "Nana"



Por Rafaella Britto 

Considerada a maior autora de mangás shoujo, Ai Yazawa dialoga com dramas e símbolos da juventude. Suas personagens são rebeldes, cheias de manias, (quase sempre) ambiciosas e independentes, e têm muito – muito! - estilo.


"Nana", o mais famoso mangá de Ai Yazawa, traz uma moda tão dramática quanto suas personagens (Foto: Reprodução)


Nana é o seu mangá mais famoso e o que mais expressa sua relação com a moda. Nele somos apresentados a Nana Komatsu e Nana Osaki. Um dia, por acaso, elas se conhecem em um trem rumo a Tóquio. Mas apesar de terem os mesmos nomes, elas não são nada parecidas: Nana Komatsu é uma garota romântica e ingênua do interior. Conhecida por se apaixonar à primeira vista, ela vai a Tóquio sem nenhuma grande aspiração, apenas para encontrar o namorado e com ele viver uma vida comum.
Já Nana Osaki é uma garota de passado misterioso que almeja ser uma rockstar. Apesar das diferenças, Nana Osaki e Nana Komatsu tornam-se grandes amigas e decidem morar juntas. A narrativa percorre o cotidiano das duas jovens na busca pelos seus sonhos – tudo acompanhado de uma trilha rock ‘n’ roll.


Nana Osaki e Nana Komatsu (Hachi), personagens centrais do drama de Ai Yazawa (Foto: Reprodução)


A essência de Nana Komatsu é o romantismo: a jovem adota o estilo naive retrô, composto por conjuntos sessentinhas, sapatos ladylike, laços, estampas florais e tonalidades pastéis de cores como azul, laranja, rosa e amarelo, que refletem sua natureza feminina, delicada e frágil.

Nana Komatsu faz o estilo retrô-romântico (Fotomontagem/Reprodução)

Nana Osaki, por sua vez, é o oposto, e a ela deve-se muito do revival da moda punk entre a juventude japonesa, no início dos anos 2000: a roqueira, amante de Vivienne Westwood, caminha entre a androginia glamorosa dos anos 80 e o grunge dos anos 90. Não abandona sua jaqueta de couro, tênis, saias xadrezes, colares, cintos de rebite e maquiagem vamp, de batom vermelho e olhos demarcados de preto.


O estilo da personagem Nana Osaki foi responsável pelo revival da moda punk no Japão nos início dos anos 2000 (Foto: Reprodução)


Em 2009, Yazawa adoeceu, razão pela qual entrou em hiato e Nana não foi concluído. O sucesso da obra – mais de 20 milhões de cópias vendidas ao redor do mundo - rendeu uma versão animada e dois live-actions, estrelados por Mika Nakashima e Aoi Miyazaki. “Eu desenhei esta história imaginando se não daria para pensar em um enredo que desse para ser apreciado como uma simples história fechada, mas que também pudesse se encaixar em uma série mais longa de forma engenhosa”, disse Yazawa.

As atrizes Mika Nakashima (Nana Osaki) e Aoi Miyazaki (Hachi) no filme Nana, baseado no mangá de Ai Yazawa (Fotomontagem/Reprodução)

Agora é aguardarmos o sonhado comeback. Mas, enquanto este dia não chega, ficam as expectativas - e algumas excelentes inspirações. 

Império Retrô

Criado em 2010 por Rafaella Britto, o blog Império Retrô aborda a influência do passado sobre o presente, explorando os diálogos entre moda, arte e comportamento.

2 comentários:

  1. Hey!

    Caraca! Eu preciso desse mangá já! Sim!
    Eu já havia lido uma matéria sobre o mesmo também e muito me interessou. Como sou meio preguiçosa para assistir animes ou séries, é mais fácil eu comprar o mangá. No entanto, gostei muito de saber que o próprio recebeu um live action. Acredito que esse não me dê tanta preguiça para ver.

    Até mais! O/
    Karolini Barbara

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    1. Também costumo ser preguiçosa para animes e séries, mas Nana foi marcante durante minha adolescência. Acredito que você irá gostar.

      Beijos e volte sempre!

      - Rafaella

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