Relembre o estilo de Gal Costa nos anos 70


“A cultura, a civilização, elas que se danem! Somente me interessam contanto que me deixem meu cabelo belo, meu cabelo belo como a juba de um leão!”

Considerada uma das grandes vozes da música brasileira, Gal Costa é sinônimo de irreverência e versatilidade: musa do Tropicalismo, movimento que abalou o Brasil durante o regime militar, Gal caminhou entre a psicodelia, o samba e a bossa nova, imprimindo, a cada interpretação, sua personalidade e estilo únicos.


Gal sempre relacionou-se estreitamente com a moda: em seus primeiros anos, a cantora flertou com o rock psicodélico, período marcado pelo lançamento de seu terceiro álbum, “Gal”, de 1969, o mais ousado de sua carreira. Os experimentalismos não ficaram somente nas guitarras elétricas que permeiam o disco, como também em seu visual andrógeno, trazendo influências do visual hippie.


A fase psicodélica de Gal Costa (Fotos: Reprodução)

“Era uma época muito difícil no Brasil, mas, ao mesmo tempo, no mundo, era a época do ‘paz e amor’, das pessoas que se vestiam de maneira diferente do comum, do usual. E eu segui essa linha”, relembrou a cantora. “Na época do tropicalismo, que eu me engajei, experimentei coisas novas, não só musicalmente, em termos de sonoridade, mas também em termos de roupa, cabelo e tudo mais. Eu mudei radicalmente a partir dali.”


"Na época do tropicalismo, que eu me angajei, experimentei coisas novas, não só musicalmente, em termos de sonoridade, mas também em termos de roupa, cabelo e tudo mais. Eu mudei radicalmente a partir dali." (Fotos: Reprodução)

Na década de 1970, fazendo dos cabelos volumosos sua marca registrada, Gal trouxe para o seu visual elementos das modas indígenas e afro-brasileiras. “Caetano e Gil foram exilados e eu fiquei aqui, cantando as coisas tropicalistas, me vestindo de maneira tropicalista e com roupas ousadas. Eu ia à Londres, comprava nos brechós e usava e misturava.”


Gal Costa e Gilberto Gil na França, nos anos 70 (Foto: Reprodução)

A baiana esbanjava sensualidade com pernas à mostra e barriga de fora. “Nada era vulgar”, disse. “Hoje eu vejo que nada era vulgar. Era sensual, mas era tudo tão espontâneo, tão verdadeiro e simples. Era simplesmente eu e era sofisticado, era bonito”. Para a jornalista Danuza Leão, Gal Costa era “a mulher mais elegante do Brasil.”  


















Fotos: Reprodução

Império Retrô

Criado em 2010 por Rafaella Britto, o blog Império Retrô aborda a influência do passado sobre o presente, explorando os diálogos entre moda, arte e sociedade.

Um comentário:

  1. Parabens por trazer detalhes do nosso passado recente tao maravilhoso!

    ResponderExcluir