Os ternos masculinos através das décadas


Os ternos não saem de moda: ao longo das décadas, são reinventados em variações de designs e permanecem como as peças-chaves do guarda-roupa masculino.
Os ternos foram criados na França, em fins do século 17. Em contrapartida a estética elaborada predominante nos anos anteriores, o design simples dos trajes de alfaiataria atraiu o público e, a partir do século 19, o terno torna-se a marca registrada do homem ocidental.
Convidamos Eric Elias Guimarães, advogado e estudioso da história da moda masculina, a fazer uma linha do tempo dos ternos. 

Por Eric Elias Guimarães, autor convidado

1900

Fraque, frock coat ou casacas negras de colarinhos altos e gravatas de estampas pequenas e discretas eram regra; as calças eram, geralmente, de panos diferentes do casaco; os ternos de três peças começaram a fazer parte do uso cotidiano.   

1900: os ternos de três peças começam a fazer parte do uso cotidiano (Foto: Reprodução)

1910

Terno de três peças e lapela estreita, de quatro ou três botões; coletes de sete ou seis botões e colarinhos estreitos de pontas arredondadas. As cores variavam entre os tons pastéis e o tweed; as gravatas eram estreitas e, às vezes, curtas.

1910: terno de três peças, de quatro ou três botões (Foto: Reprodução) 

1920

Ternos de três peças, de dois ou três botões, lapelas médias e largas; colete de seis ou cinco botões, colarinhos de ponta, barras compridas, gravatas listradas e de estampas pequenas.

1920: ternos de três peças, de dois ou três botões. Na foto, estudantes da Universidade de Yale em 1927 (Foto: Reprodução)

1930

Ternos de três peças, de corte trespassado, lapelas médias e largas e colarinho de pontas compridas. Entraram em moda os tecidos risca-de-giz e as gravatas em estampa xadrez.

1930: entraram em moda os tecidos risca-de-giz e as gravatas em estampa xadrez (Foto: Reprodução)

1940

Três fases:

(1940-1942) - Ternos trespassados muito similares aos dos anos 1930, acinturados, e já abusando do uso dos panos em lapelas largas. O padrão de camisas e gravatas era o mesmo.

1940-1942: ternos trespassados muito similares aos dos anos 30. Na foto, Cary Grant, James Stewart, John Howard e Katharine Hepburn no filme "Núpcias de Escândalo" (Philadelphia Story, 1940) (Foto: Reprodução)

(1942-1945) - Ternos de duas peças, podendo ser de combinação paletó e calça sem colete, com três botões e lapelas médias. Por causa da escassez de panos em decorrência da guerra, os bolsos não tinham abas. As camisas tinham colarinhos médios ou compridos.

1942-1945: por causa da escassez de pano em decorrência da guerra, os bolsos não tinham abas. Na foto, Humphrey Bogart e James Stewart (Fotomontagem/Império Retrô)

(1946-1949) - Terno de três peças, de lapelas largas e corte trespassado; barras compridas, calças com pregas. Com o fim da guerra, os bolsos voltaram a ter abas; os colarinhos tinham as pontas compridas; gravatas largas com estampas berrantes viraram mania; o terno de três botões já começava a ser usado com pulôver.

1946-1949: o terno de três botões começava a ser usado com pulôver (Fotomontagem/Império Retrô)

1950

Terno de duas peças, usado sem colete; dois ou três botões, lapelas médias, colarinhos médios, gravatas listradas ou com outras estampas. A cor preta começou a perder o significado de luto.

1950: a cor preta começou a perder o significado de luto (Foto: Reprodução/Ken Russell)

1960

Terno de duas peças, usado sem colete; corte estreito, três botões, barras estreitas; lapelas e gravatas estreitas em diversas estampas, tudo muito enxuto de pano. Ao final da década, os ternos se tornaram mais acinturados, com barras mais longas e dois botões, e as lapelas, mais largas.

1960: terno de duas peças, usado sem colte. Na foto, os Rolling Stones em sua formação original (Foto: Reprodução)

1970

Ternos de duas peças, dois ou três botões, trespassados ou não, com colete de cinco botões ou não; acinturado e com lapelas muito largas, barras longas e uma infinidade de estampas, cores e tecidos; colarinhos largos e gravatas largas que variavam de estampas discretas às mais diversas cores e motivos; algumas calças ficaram com o estilo pantalona, apertada nas pernas e abrindo a barra em sino.

1970: variedades de cores e motivos (Foto: Reprodução)

1980

Ternos de duas peças, trespassados de dois botões, inspirado no modelo dos anos 40; ao contrário da década anterior, era menos acinturado, e as gravatas, mais sóbrias.

1980: ternos de duas peças inspirados no modelo da década de 40. Na foto, ternos Armani (Foto: Reprodução)

1990

Ternos de duas peças, trespassados de quatro ou dois botões. Podia ser também em corte simples, com dois botões, perfil mais quadrado, lapelas médias, colarinhos médios e gravatas discretas. Tornaram-se comuns as combinações esporte, com calça jeans.

1990: ternos de duas peças, trespassados de três ou quatro botões. Na foto, Joaquin Phoenix em campanha da Prada, em 1997 (Foto: Reprodução)

2000

Ternos de duas peças, três botões e corte reto; lapelas médias, colarinhos médios e gravatas em diversos motivos. Os tecidos mais utilizados eram os de risca-de-giz.

2000: os tecidos mais utilizados eram os de risca-de-giz. Na foto, NSYNC no início dos anos 2000 (Foto: Reprodução)

2010

Ternos slim (ajustados ao corpo), de duas peças, dois botões, corte bastante estreito, barras curtas e camisas de lapelas médias; gravatas largas ou estreitas, com estampas e cores mais sóbrias. 

2010: ternos slim (ajustados ao corpo). Na foto, desfile de Inverno 2015/16 da Dior (Fotomontagem/Fashion Style Mag)

Império Retrô

Criado em 2010 por Rafaella Britto, o blog Império Retrô aborda a influência do passado sobre o presente, explorando os diálogos entre moda, arte e comportamento.

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