Hotel Chelsea, o centro da vanguarda americana nos anos 60

Por Stelle de Rocio, autora convidada


O Hotel Chelsea é um dos mais requisitados pontos turísticos de Nova York: localizado em Manhattan, o hotel é conhecido como símbolo da cultura popular americana, e por ter sido o local onde grandes nomes da arte contemporânea viveram e produziram suas obras. Inaugurado em 1884, o edifício possui arquitetura em estilo neogótico e foi um dos primeiros prédios comerciais privados da cidade. A partir de 1905, o prédio passou a funcionar como um hotel, e tornou-se o centro da boemia nova-iorquina.


À esquerda, fachada do edifício Chelsea, em Manhattan; à direita, Patti Smith e Viva Superstar no hotel (Foto: Hotel-R)


Desde sua inauguração, o Hotel Chelsea é conhecido como o refúgio de famosos artistas e intelectuais. Ali, Arthur C. Clarke escreveu “The Sentinel”, conto que deu origem ao filme “2001: Uma Odisseia no Espaço”. Outros proeminentes escritores, como Mark Twain, Arthur Miller, Simone de Beauvoir, Charles Bukowski, Tennessee Williams, e nomes do cinema, como Stanley Kubrick, Milos Forman e Dennis Hopper, desenvolveram algumas de suas principais obras enquanto encontravam-se instalados nos quartos do imponente edifício vermelho de Manhattan.

Arthur Miller e Elia Kazan no Hotel Chelsea (Foto: Reprodução)

O Hotel Chelsea foi, também, palco de tragédias: o poeta Dylan Thomas sofreu um colapso nervoso no quarto 205, falecendo no hospital alguns dias depois; em outro quarto, em setembro de 1968, o escritor Charles R. Jackson – autor de “Farrapo Humano” – cometeu suicídio.
Algumas das mais belas canções de amor foram compostas no Chelsea: músicos como Bob Dylan, Patti Smith, Janis Joplin, Iggy Pop, Édith Piaf e Leonard Cohen foram assíduos frequentadores do mítico endereço da 23rd Street. O edifício é mencionado na clássica “Chelsea Hotel No. 2”, música de Leonard Cohen recentemente regravada na voz de Lana Del Rey.


Nas palavras de Patti Smith, o Chelsea era como “um porto energético desesperado para bandos de crianças talentosas que precisam correr atrás de cada degrau da escada. Vadios com violões e bichas muito loucas em vestidos vitorianos. Poetas, viciados, dramaturgos, cineastas falidos e atores franceses. Todo mundo que passa por aqui é alguém, mesmo que não seja ninguém no mundo lá fora.”
O Hotel Chelsea foi centro das principais vanguardas da década de 1960: ícone da pop-arte e musa de Andy Warhol, a modelo Edie Sedgwick viveu grande parte de sua vida no hotel. A socialite escandalizou a sociedade americana por seu estilo de vida marcado por extravagâncias. Referência em moda e estilo, Sedgwick foi apelidada pelos grandes tabloides de “It Girl”, e de “Youthquake” (terremoto juvenil) pela revista Vogue. Sua agitada vida foi precocemente interrompida aos 28 anos, vítima de overdose.


Edie Sedgwick no Hotel Chelsea (Foto: Reprodução)

Em 1966, Andy Warhol lança “Chelsea Girls”: o filme, co-dirigido por Paul Morrissey, mostra a vida de jovens mulheres que vivem no hotel. O longa de 3 horas de duração é um marco do cinema experimental, e uma das mais significativas produções envolvendo o edifício. No ano seguinte, Nico (uma das estrelas do filme de Warhol) lança o álbum pop/folk de mesmo nome, “Chelsea Girls”: o primeiro disco solo da cantora após sua colaboração com o Velvet Underground contou com composições de Bob Dylan, Lou Reed e Jackson Browne.
Na atualidade, o Hotel Chelsea mantém-se como um museu “rock ‘n’ roll”, sendo o principal destino turístico dos aficionados pela vanguarda americana da segunda metade do século 20. 

Foto de abertura: Reprodução

Império Retrô

Criado em 2010 por Rafaella Britto, o blog Império Retrô aborda a influência do passado sobre o presente, explorando os diálogos entre moda, arte e comportamento.

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