Os chapéus femininos que marcaram época

Por Rafaella Britto


Chapéus são clássicos que não saem de moda. Reinventados ao longo das décadas, permanecem como tendência atemporal: entre os séculos 17 e início do século 20, o chapéu, quanto mais enfeitado, mais status conferia a mulher que o usava. A partir dos anos 1910, passou a ser confeccionado em diferentes estilos menos extravagantes e ostensivos, porém jamais deixou de ser considerado um acessório glamoroso que imprime personalidade a qualquer look.

Da Era Eduardiana aos dias atuais, confira alguns dos principais modelos de chapéus femininos que marcaram época.

1900

A principal referência estética da década de 1900 (período conhecido como Era Eduardiana, na Inglaterra, e como Belle Époque, na França) são os luxuosos chapéus decorados com plumas, rendas, tules, laços, pássaros e flores – os quais Coco Chanel chamou de “ninhos de pássaro”. Nos Estados Unidos, as Gibson Girls ditaram o padrão de beleza com sua silhueta em forma ‘S’ e os altos chapéus presos sobre o cabelo penteado em estilo pompadour. Na Inglaterra, o charme da atriz Lily Elsie conquistou o mundo da moda: o enorme chapéu utilizado por ela na montagem teatral da opereta “A Viúva Alegre”, em 1907, foi uma das principais tendências da moda no início do século 20.

Acima, Lily Elsie na peça "A Viúva Alegre", de 1907 e a Gibson Girl Evelyn Nesbit; abaixo, a Gibson Girl Camille Clifford e a cantora Anna Held (Fotomontagem/Reprodução)

1910

A modelo e dançarina Irene Castle, conhecida como a introdutora da moda feminina estadunidense por ditar as tendências que seriam febres na década seguinte – como o corte de cabelo à la garçonne e os vestidos soltos de saias mais curtas -, popularizou os primeiros modelos de chapéus para cabelos curtos.

A modelo e dançarina Irene Castle, responsável por popularizar os primeiros modelos de chapéus para cabelos curtos (Fotomontagem/Reprodução)

1920

A marca do visual melindrosa eram os cabelos curtíssimos que só se diferenciavam dos cortes masculinos pelos “pega-rapazes” – pequenas pontas do cabelo direcionadas para o rosto. O principal modelo de chapéu era o cloche, justo e enterrado até os olhos. Estrelas do cinema como Clara Bow, Gloria Swanson, Louise Brooks e Colleen Moore foram as grandes influenciadoras da moda do período.

Louise Brooks, Colleen Moore, Gloria Swanson e Clara Bow (Fotomontagem/Reprodução)

1930

A chapelaria de 1930 direcionou seus olhares para o início do século, trazendo de volta os modelos altos e elaborados. A andrógena Greta Garbo lançou moda com seu chapéu fedora, modelo anteriormente considerado como exclusivamente masculino. Destaque, também, para as cartolas de Marlene Dietrich nos filmes “O Anjo Azul” e “Marrocos”.

Greta Garbo, Marlene Dietrich, Barbara Stanwyck e Myrna Loy (Fotomontagem/Reprodução)

1940

Os anos 1940 incorporaram à moda feminina o barrete e a boina tam o’shanter, que compunham o traje militar do século 19. Modelos vitorianos como o cartwhell (chapéu de abas largas decorado com flores e fitas) também voltaram à moda e foram adotados por atrizes como Hedy Lamarr. Nesta época surgiu o pillbox, modelo circular que cobria apenas o topo da cabeça.

Hedy Lamarr, Ingrid Bergman, Lauren Bacall e Marlene Dietrich (Fotomontagem/Reprodução)

1950

Nos anos 1950, os chapéus ainda eram acessórios utilizados diariamente e em ampla variedade de estilos: podiam ser pequenos ou grandes, confeccionados em palha ou feltro, enfeitados com flores, plumas, pérolas ou fitas. Os principais modelos eram o flying saucer, que possuía este nome pelo seu formato, que lembrava um ‘disco voador’ (flying saucer); coolie, de formato arredondado, pequeno na parte superior e de abas largas; bucket (literalmente, ‘balde’), chapéu menor que se assemelhava aos modelos dos anos 20; half hat, modelo assimétrico de pano que cobria só o topo da cabeça e era preso por grampos especiais; o pillbox e o casquete, também conhecido como fascinator (chapéu pequeno que cobre o topo da cabeça e é decorado com flores, rendas e, mais comumente, um véu de redinha).

Elizabeth Taylor, Dorothy Lamour e Anne Baxter (Fotomontagem/Reprodução)

1960

A chapelaria sessentista traz releituras dos principais estilos das décadas anteriores. A modelo Peggy Moffitt desfila as inovações de vanguarda do estilista austríaco Rudi Gernreich. São sucessos o flying saucer de Givenchy para Audrey Hepburn no filme “Bonequinha de Luxo” e os pillbox de Jacqueline Kennedy.

Audrey Hepburn, Jacqueline Kennedy, Peggy Moffitt e Twiggy (Fotomontagem/Reprodução)

1970

Foram moda as toucas de crochê exibidas por Dina Sfat na novela “Assim na Terra Como no Céu” e Ali MacGraw no filme “Love Story”. O destaque da década são os chapéus floppy (de abas largas), que compunham o visual hippie. O floppy era o modelo favorito de musas como Faye Dunaway e Brigitte Bardot, e conquistou ainda maior notoriedade quando foi usado por Farrah Fawcett e Bianca Jagger em seus trajes de noiva. 

Brigitte Bardot, Faye Dunaway, Jane Birkin e Dina Sfat (Fotomontagem/Reprodução)

1980

Lady Di chamou a atenção por seus chapéus em harmonia às cores de suas roupas.

Os chapéus de Lady Di nos anos 80 (Fotomontagem/Reprodução)

1990

Os chapéus bucket voltaram à moda – desta vez popular entre homens e mulheres.

Britney Spears, Tamera Mowry e Tia Mowry do seriado "Sister Sister", Jennifer Aniston e Mary Kate & Ashley Olsen (Fotomontagem/Reprodução)

2000

A febre dos anos 2000 foram as boinas de abas largas, confeccionadas em variedades de tecidos, do crochê ao couro. Os chapéus floppy compunham o estilo boho da atriz Sienna Miller e da cantora Jennifer Lopez.

Britney Spears, Christina Aguilera, Sienna Miller e Jennifer Lopez (Fotomontagem/Reprodução)

2010

O hipster reinventa a estética setentista: os chapéus floppy marcam o visual de cantoras como Taylor Swift, Lana Del Rey, Florence Welch e as irmãs Haim. Os gorros em tricô oversized e os chapéus panamá (semelhante ao fedora, mas confeccionado em palha) são acessórios marcantes na moda urbana e casual. 

Lana Del Rey, Taylor Swift, Florence Welch e Haim (Fotomontagem/Reprodução)

Império Retrô

Criado em 2010 por Rafaella Britto, o blog Império Retrô aborda a influência do passado sobre o presente, explorando os diálogos entre moda, arte e sociedade.

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