James Dean: a permanente influência do clássico rebelde

Por Rafaella Britto


Em toda a história, poucas vezes se ouviu falar em artistas cuja grandiosidade tenha ultrapassado as fronteiras do esquecimento. Um desses artistas é James Dean: jovem, bonito, carismático, talentoso e transgressor, sua trajetória foi breve, mas o suficiente para torná-lo símbolo de sua geração, exercendo um impacto cultural que, ainda hoje, permanece vivo.

A breve história de um mito

James Byron Dean nasceu em Marion, Indiana, em 8 de fevereiro de 1931. Seu nome-composto, Byron, foi homenagem de sua mãe, Mildred Dean, filha de fazendeiros protestantes, ao poeta romântico inglês Lorde Byron. Ainda cedo, o introspectivo Jimmy demonstrou habilidades artísticas. Aos 8 anos, aprendeu sapateado e violino.

O pequeno Jimmy (Foto: Reprodução)

Após a morte de sua mãe, em 1940 – fato que marcaria melancolicamente o astro -, mudou-se para a fazenda de seus tios Marcus e Ortence Wislow, em Fairmount. Suas primeiras experiências como ator ocorreram aos 17 anos, nas peças teatrais do colégio. Em 1949, deixou Fairmount e mudou-se para Nova York para cursar arte dramática na associação de atores Actor’s Studio, fundada em 1947 pelo cineasta Elia Kazan. Estreou no cinema em 1951, em um curto papel não creditado no filme de guerra “Fixed Bayonets!”, estrelado por Richard Basehart. A partir de 1952, obteve papéis em séries de televisão, como “The Bells of Cockaigne” (1953), “Something for an Empty Briefcase” (1953), “Robert Montgomery Presents” (1953), “Schlitz Playhouse” (1955), entre outras. O início de sua ascensão viria em 1953, ao conquistar boa aclamação da crítica por sua interpretação do jovem homossexual Michel na adaptação do romance de André Gide, “O Imoralista”, para o teatro.
Paralelamente ao sucesso como ator, James Dean cultivou o gosto por corridas automobilísticas – paixão que lhe custou a vida, quando foi morto em 1955, aos 24 anos, em um acidente fatal.

Vidas Amargas

Em sua carreira, James Dean estrelou três filmes, os quais elevaram sua imagem ao status de lenda imortal do cinema: o primeiro, “Vidas Amargas” (adaptação do romance homônimo de John Steinbeck), dirigido por Elia Kazan, retrata a desintegração familiar. Nele, Jimmy é Cal, adolescente que busca o afeto de seu pai. O ator foi pioneiro em personificar as angústias da juventude. Julie Harris, seu par romântico em “Vidas Amargas”, disse que trabalhar com Jimmy foi o mais marcante momento de sua vida: “Jimmy foi como um cometa que desceu do céu. Ainda hoje, as pessoas falam dele: ‘Ahhhh, você viu aquela estrela cadente?’ Ele tinha toda essa mágica.” “Vidas Amargas” rendeu a James Dean o prêmio de Melhor Ator Estrangeiro no Juissi Awards, na Finlândia, uma indicação ao BAFTA de Melhor Ator, e uma indicação póstuma ao Oscar de Melhor Ator – a primeira da história do Prêmio da Academia.

James Dean e Julie Harris em "Vidas Amargas" ("East of Eden" - Elia Kazan, 1955) - (Foto: Reprodução)

Juventude Transviada

A crônica juvenil “Juventude Transviada” (Nicholas Ray, 1955) consagrou para sempre a imagem de James Dean como o astro rebelde: Jimmy vive Jim Stark, garoto problemático que rejeita seus pais e todas as convenções sociais.
Em entrevista ao jornalista Peter Lawford em 1974, a atriz Natalie Wood, que contracenou com Jimmy em “Juventude Transviada”, comentou a eterna influência do ator na modernidade: “Jimmy tinha uma necessidade emocional. Ele não era exatamente um rebelde social, ele só estava dizendo: ‘me deixem em paz, quero fazer as coisas sozinho, do meu jeito! Me escutem, me amem! ’ Era excêntrico, não gostava de usar terno e gravata, fazer o que os estúdios lhe ordenavam. Naquela época, ele exerceu um impacto muito forte, que continua vivo, muitos anos depois. Havia algo de universal no que Jimmy transmitiu.”

Natalie Wood e James Dean em "Juventude Transviada" (Rebel Without a Cause - Nicholas Ray, 1955) - (Foto: Reprodução)

Sal Mineo, que interpretou Plato, o amigo de Jim em “Juventude Transviada” recordou-se de Dean como uma “experiência espiritual”: “Eu estava aterrorizado, sentia medo dele. Eu não o conhecia, mas gradualmente, fui me apaixonando pela maneira como ele lidava com as pessoas. Eu queria ser como ele. Sempre soube que sua influência era enriquecedora em minha vida.”

James Dean e Sal Mineo, 1955 (Foto: Reprodução)


Assim Caminha a Humanidade

Seu último filme, o épico “Assim Caminha a Humanidade” (George Stevens, 1956), é considerado uma das mais importantes obras já realizadas no cinema americano: em “Assim Caminha a Humanidade”, Jimmy, ainda marcado pela imagem de jovem rebelde, interpreta Jett Rink, funcionário de um rancho do Texas que ambiciona a riqueza, e faz fortuna ao tornar-se magnata do petróleo. O filme é estrelado por Rock Hudson e Elizabeth Taylor.
Em entrevista a Larry King, Liz Taylor descreveu o convívio com o jovem astro, que faleceu fatalmente antes do lançamento do filme: “Eu amava Jimmy... Ele era muito tímido, teve uma infância muito infeliz. Ele se torturava muito. Às vezes conversava comigo pela manhã, e outras vezes, passava por mim como se nem ao menos soubesse o meu nome. No início, fiquei muito magoada e disse: ‘Jimmy! Jimmy, você está bem?’ Ele foi rude. E percebi que ele havia revelado muito de si mesmo.”

Liz Taylor e James Dean nos bastidores de "Assim Caminha a Humanidade" (Giant - George Stevens, 1956) - (Foto: Reprodução)

Legado

De calças jeans, jaqueta vermelha e revelando a camiseta de baixo que outrora contrariava os sagrados códigos da vestimenta elegante, James Dean tornou-se ícone eterno da moda. “James Dean, o astro rebelde do cinema americano, era tão associado ao jeans que os fabricantes passaram a utilizar sua imagem em material publicitário”, escreveu o cineasta e consultor de moda Fernando de Barros no capítulo “Os clássicos rebeldes” de seu livro “O Homem Casual”. “O jeans se tornou o espírito da América que estava saindo da guerra. Começavam naqueles anos as mudanças que iriam influenciar as gerações seguintes. Depois disso, as pessoas e o modo como elas se vestiam nunca mais seriam os mesmos”.

A icônica jaqueta vermelha de "Juventude Transviada", criação do figurinista Moss Mabry (Foto: The Guardian)

O estilo James Dean em fotos

"Jeans azul, camisa branca. Quando você entrou na sala, fez meus olhos queimarem. Era como James Dean, sem dúvidas. Você é tão jovem para morrer. E é doentio como ca-câncer" - cantou Lana Del Rey. A atitude do eterno rebelde sem causa inspira artistas ao redor do mundo: seis décadas após sua morte, a influência de James Dean permanece presente na moda e comportamento modernos, como retrato do existencialismo juvenil atemporal e universal.   

(Foto: Harper's Bazaar)

(Foto: Harper's Bazaar)

(Foto: Harper's Bazaar)

(Foto: Harper's Bazaar)

(Foto: Harper's Bazaar)

(Foto: Harper's Bazaar)

(Foto: Harper's Bazaar)

(Foto: Harper's Bazaar)

Fontes:

Império Retrô

Criado em 2010 por Rafaella Britto, o blog Império Retrô aborda a influência do passado sobre o presente, explorando os diálogos entre moda, arte e sociedade.

3 comentários:

  1. texto incrível, deu até vontade de assistir "Assim Caminha a Humanidade"

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    1. Fico feliz que tenha gostado, Anderson! Com certeza você vai adorar "Assim Caminha a Humanidade".

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