Dieta e fitness em 1950

Por Rafaella Britto

Marilyn Monroe
(Foto: Reprodução)

A silhueta curvilínea que exaltava feminilidade na década de 1950 tinha em ícones como Marilyn Monroe, Betty Grable, Brigitte Bardot e Jayne Mansfield seus símbolos máximos, influenciando a moda e o comportamento de uma geração. Mas qual seria o segredo da beleza feminina daquele período?
O advento da televisão e, posteriormente, a internet, vêm tornando as mulheres deste tempo menos ativas no cotidiano e convívio social. Devido a praticidade e agitação características do século XXI, a mulher pouco tempo dedica a rituais de beleza e cuidados consigo mesma. Assim, as mulheres deste século adquiriram gorduras indesejadas que, nos anos 2000, deixaram-se entrever com as calças Saint-Tropez e a ascensão do elastano nas roupas. Algumas batalham pela aceitação de seus corpos pela sociedade, enquanto outras ainda submetem-se a sofrimentos físicos e interiores por não estarem encaixadas no “modelo ideal” da mulher magérrima presente nos catálogos da Victoria’s Secret.

Jayne Mansfield
(Foto: Reprodução)

É certo que a mulher da primeira metade do século XX se preocupava menos com as futilidades dos nossos dias, e tornava suas belezas mais longevas e duradouras. Há de se considerar fatores históricos que contribuíram para esse estilo de vida: durante a Segunda Guerra Mundial, matérias-primas, tecidos e alimentos foram racionados. Desta forma, as pessoas eram forçadas a comer menos, o que as tornava magras e, consequentemente, o maior consumo de frutas e vegetais diminuiu os índices de doenças cardiovasculares.


Até a década de 1960, mercados não eram comuns a cada esquina: as donas de casa eram inventivas e criativas na cozinha. Diferentemente dos alimentos transgênicos e gordurosos que consumimos nos dias de hoje, as donas de casa plantavam hortas e consumiam os alimentos que colhiam. Carboidratos - torrada integral, bolacha de água e sal, pão francês, arroz, feijão - e proteínas como carne eram indispensáveis no menu diário. Vinho? Somente em raras ocasiões. Bebidas alcoólicas eram produtos caros, e os bares restringiam as vendas de acordo com horários específicos.

Ginger Rogers
(Foto: Reprodução)

Em 1936, o preparador físico Jack LaLanne desenvolveu as primeiras máquinas de polia. Abriu sua academia de ginástica na Califórnia, mas seu método de exercícios não foi reconhecido até a década de 1950, quando inciou seu programa de televisão "The Jack LaLanne Show", tornando-se sensação nos EUA. LaLanne é considerado o “pai do fitness”.


As mulheres queimavam até 1000 calorias em um só dia, realizando apenas as suas tarefas cotidianas. As que conquistaram maior independência exerciam atividades remuneradas fora de casa. Sem carro, televisão, celular ou lojas online, as donas de casa caminhavam para fazer compras, e dentre as atividades de lazer estavam a prática de esportes e dança. 

(Foto: Reprodução)

(Foto: Reprodução)

(Foto: Reprodução)

(Foto: Reprodução)

(Foto: Reprodução)

(Foto: Reprodução)

No Brasil, Tônia Carrero encantou ao esbanjar boa forma na comédia romântica “É Proibido Beijar”, de 1954. A atriz (graduada em Educação Física) interpreta a personagem June e, no filme, revela como mantém a silhueta: “Tênis, patinação, muito passeio a pé, muita ginástica pela manhã, corrida, automobilismo, alpinismo três vezes ao ano, basquetebol, jiu-jitsu...”

Tônia Carrero como June em "É Proibido Beijar", de Ugo Lombardi (1954)
(Foto: Reprodução)


Fontes:

Império Retrô

Criado em 2010 por Rafaella Britto, o blog Império Retrô aborda a influência do passado sobre o presente, explorando os diálogos entre moda, arte e sociedade.

6 comentários:

  1. perfeitas! adoro ver tudo isso, um padrão de beleza bem diferente dos atuais, malhavam sem exageros, adorei a matéria, os vídeos então...Tônia Carreiro, Marilyn Monroe eternas divas

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    1. Grandes deusas das telas! Fico feliz que tenha gostado!

      Beijos,
      Rafa.

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  2. Sou apaixonada pela estética feminina dessa década (além da década de 20, claro). Havia uma beleza bastante feminina e delicada, visando a saúde, mas ao mesmo tempo sem tantas neuras. Eu gostaria de ter mais tempo para vir aqui ler os seus textos que são excelentes! Boa semana =)

    Beijos, Pri
    http://vintagepri.blogspot.com/

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    1. A estética desse período é realmente maravilhosa, sem excessos, sem alienações e, como você disse, visando a saúde. Fico muito feliz que esteja aprendendo com os meus textos, Pri!

      Beijos,
      Rafa.

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  3. Adorei o post!!! eu tento sempre fazer as coisas o mais natural e manual possivel, tenho minha hortinha e faço muitas coisas na cozinha, mas realmente a modernidade, mudou muito a rotina da dona de casa.
    Ameiii
    bjuxx
    Casa Cherry

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    1. A modernidade nos fez bem, ao mesmo tempo que nos fez mal. Ficar em casa sentada, vendo televisão, consultando a internet, são hábitos que nos fazem parecer zumbis. Mas ainda é possível nos movimentarmos mais, caminhar, tomar sol, queimar calorias, comer de um jeito saudável, sem histeria, sempre para o bem de nós mesmas.

      Beijos,
      Rafa.

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